quinta-feira, 30 de junho de 2016

Pais e Filhos

Pais e Filhos  de Legião Urbana


Estátuas e cofres e paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender
Dorme agora
É só o vento lá fora

Quero colo! Vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo, tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três
Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há

Me diz, por que que o céu é azul?
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos
Que tomam conta de mim

Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar

Já morei em tanta casa
Que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há

Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não te entendem
Mas você não entende seus pais

Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer





terça-feira, 28 de junho de 2016

O HOMEM NU

O texto que você vai ler é uma crônica de autoria de Fernando Sabino, mineiro de Belo Horizonte, que nasceu em 1923 e morreu em 2004. Foi locutor de rádio, colaborou com artigos, crônicas e contos em revistas, conquistando muito prêmios. O romance O encontro marcado, de 1956, foi o grande impulso para sua carreira literária. Depois disso, Sabino resolveu viver exclusivamente como escritor e jornalista.

O HOMEM NU

          Ao acordar, disse para a mulher:
          – Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.
            – Explique isso ao homem – ponderou a mulher.
          – Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até  cansar – amanhã eu pago.
       Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até ao embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.
         Aterrorizado, precipitou-se até à campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nós dos dedos:
          – Maria! Abre aí, Maria. Sou eu – chamou em voz baixa.
          Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.

       Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares… Desta vez, era o homem da televisão!
          Não era. Refugiado no lance da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta do seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:
          – Maria, por favor! Sou eu!
         Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindo lá de baixo… Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de um lance de escada. Ele respirou, aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.
          – Ah, isso é que não! – fez o homem nu, sobressaltado.
          E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido… Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!
          – Isso é que não! – repetiu, furioso.
        Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: “Emergência: parar”. Muito bem. E agora? Iria subir ou descer?
          Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.
          – Maria! Abre esta porta! – gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhum cautela.
          Ouviu que outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho.
          – Bom dia, minha senhora – disse ele, confuso. – Imagine que eu…
          A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:
          – Valha-me Deus! O padeiro está nu!
          E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:
          – Tem um homem pelado aqui na porta!
          Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:
          – É um tarado!
          – Olha, que horror!
          – Não olha não! Já pra dentro, minha filha!
          Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta.
          – Deve ser a polícia – disse ele, ainda ofegante, indo abrir.
          Não era: era o cobrador da televisão.

(FERNANDO SABINO. In: Para Gostar de Ler. Vol. 3 – Crônicas. Editora Ática, São Paulo, 1996)

Sugestões de atividades

Responda às questões abaixo:

1.A narrativa desta crônica está em que pessoa verbal?_______________________________

2.Quais os tempos verbais predominantes nesta crônica?  _____________________________

3.Qual é o nome do homem nu? _________________________________________________

4.Por que o casal não poderia abrir a porta do apartamento? ___________________________

5.O homem saiu do apartamento com qual objetivo e como ele estava? __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

6.O que aconteceu quando o homem nu saiu para pegar o embrulho de pão?
___________________________________________________________________________

7.Apesar do homem bater e chamar por sua mulher, ela não veio abrir a porta. Por quê?
________________________________________________________________________

8.Por que a velha disse: “O padeiro está nu!” ? __________________________________

09.Qual o ponto máximo de tensão da narrativa? _________________________________

10.Dividindo-se a narrativa em três partes, descreva com uma frase:

A. A situação inicial -____________________________________________________
B. O conflito –_________________________________________________________

C. A resolução final – ___________________________________________________

quarta-feira, 22 de junho de 2016

O silêncio dos pais

                                     O silêncio dos pais


Antes, os pais de família educavam; com maior ou menor acerto, mas educavam. Podemos dizer que na atualidade existem muitos casos de medo a exercer o mando; esse temor em pais desorientados é um fenômeno relativamente recente. E esse medo tem uma estreita relação com o desejo de não sofrer, por um lado, e a falta de informação por outro. Expliquemos isto: existe um medo generalizado ao sofrimento próprio e alheio – fruto possivelmente do anseio de prazer que nos invade -; assim vai ganhando terreno uma política de concessões na educação dos menores.

Aristóteles diz que o homem feliz atuará conforme a virtude e levará as mudanças de fortuna com máximo decoro. Escreve: “difunde-se o resplendor da formosura moral quando um homem suporta com serenidade muitos e grandes infortúnios, não por insensibilidade à dor, mas sim porque é bem nascido e magnânimo”.

A autoridade é tema chave na educação; o problema radica em que muitos pais e dirigentes não têm suficiente personalidade e em muitas ocasiões possuem uma ideia errada da autoridade.

Possivelmente o resultado mais valioso de toda a educação é a capacidade para obrigar-se a fazer o que tem que fazer e quando deve fazer-se, goste ou não.
Em vez de oferecer uma vida fácil ao filho, convém capacitá-lo para uma vida dura e áspera. Terá que iniciá-lo, sem olhares de falsa compaixão, nos esforços que provavelmente terá que desenvolver um dia.

Enquanto a conduta dos jovens se encontra num estado moldável,é necessário que adquiram bons hábitos: cada pequeno ato, vicioso ou virtuoso, deixa cicatrizes neles.

Falta de informação

O medo também se dá nos pais por falta de informação: não sabem o que fazer aos filhos no tempo livre ou quando não estão com eles, e não sabem o que se deve fazer num mundo em constante transformação.

Este temor ao exercer a autoridade pode ser favorecido pelas telenovelas, onde com frequência o tema se centra nas recriminações dos filhos aos pais; culpam-nos das suas falhas ou fracassos, aludindo a erros que os pais cometeram na sua educação, e não reconhecem que boa parte do mal procede do próprio coração.
Paternalismo é “dar o peixe e não ensinar a pescar”.

Autoridade e Prestígio


Os pais têm autoridade pelo fato de serem pais; mas a autoridade mantém-se, perde-se ou recupera-se pelo modo de comportar-se. Não será real se lhe faltar o prestígio.

A palavra “prestígio” pode ser ambígua. Não é o mesmo o prestígio dum desportista, dum professor ou dum pai de família. Como se tem prestígio com os filhos? Pelo modo de ser, isto é: pelo bom humor, a serenidade e a naturalidade. Há diferentes estilos de bom humor, mas todos se apoiam no otimismo e em saber esperar, o que se concretiza em dizer: confio em que és capaz,espero coisas boas da bondade do teu coração.

O optimismo, a serenidade e a confiança asseguram as melhores condições para atuar com firmeza e com flexibilidade, com suavidade e com fortaleza: SUAVITER ET FORTITER, como diziam os antigos romanos.

A palavra autoridade deriva de “autoritas”, que significa a força que serve para sustentar e acrescentar; “autor” é o que sustenta uma coisa e a desenvolve. A palavra autoridade conservou a significação clássica de crédito, garantia, poder e prestígio.

Têm prestígio os pais que são muito pormenorizados e muito flexíveis, mas questão capazes de manter uma linha de atuação, sem dar inclinações bruscas, graduando a exigência segundo as circunstâncias, sem deixar nunca de exigir e de se exigirem a si mesmos a melhora.

Desprestigiam a solenidade e o dramatismo, o atirar à cara, o lamentar-se, os julgamentos temerários e o mau humor.

A autoridade é virtude, prestígio; é a ciência e a eficácia duma pessoa num assunto, reconhecida por outras pessoas. A autoridade não é independência, mas sim atendimento, não é majestade, mas sim excelência. A autoridade pertence ao reino da qualidade.

Quanto ao modo de exercê-la, a autoridade trata de convencer, de comprovar a sua validez; recorre ao diálogo como instrumento de governo e aceita, num clima de liberdade o compromisso de cada uma das partes com a verdade.

O prestígio do outro cônjuge

A autoridade vista como atendimento deve gastar-se, em primeiro lugar, em fomentar o prestígio do outro cônjuge. A vida matrimonial não é uma competição onde no final se verá quem ganha. É harmonia, colaboração, ou ao menos assim deveria sê-lo. Qualquer delicadeza é pouca neste sentido. Há sugestões que ajudam os filhos a descobrirem no seu pai ou na sua mãe valores que lhes tinham passado inadvertidos. Há também silêncios inoportunos e omissões, que podem fazer sofrer inutilmente.

Existe uma valorização exagerada das frustrações infantis. Com medo de que a criança se traumatize evitam-lhe esforços, sofrimentos e obstáculos, que serviriam para forjar o seu caráter. Mais adiante na vida, se por acaso ela os apresenta, não sabem enfrentar-se com eles… e é então quando na verdade correm o perigo de trauma.

O normal é que na vida humana haja dor; quando uma criança é protegida em excesso, é difícil que amadureça e que se valha por si mesmo.

Se um pai desautorizar a sua esposa diante do filho, a autoridade degrada-se. Pelo contrário, a potencialização da autoridade do outro pode-se fazer destacando um detalhe, nessas conversações privadas com cada filho: “Reparaste em…” e menciona-se um facto edificante ou destaca-se uma virtude. Há coisas ditas de passagem que ajudam a querer-se mais, a estabelecer uma base mais sólida para o exercício da autoridade.

Em resumo poderia dizer-se: “Mais vale educar com deficiências que não educar”.


(Rebeca Reynaud, www.yoinfluyo.com)

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terça-feira, 21 de junho de 2016

O que fazer quando há suspeita de violência sexual contra uma criança ou adolescente?



Não se deixe enganar: a violência sexual não é um assunto que diz respeito apenas à vítima. Proteger a criança e o adolescente de toda forma de violência é uma responsabilidade do Estado, da família e de toda a sociedade. Quando há suspeita de violência sexual, é importante acionar uma das instituições que atuam na investigação, diagnóstico, enfrentamento e atendimento à vítima e suas famílias: Conselhos Tutelares,Disque 100



http://www.childhood.org.br/como-agir/denuncie


Denuncie

Fazendo denúncias
Em situações de suspeita ou confirmação de violações de direitos humanos de crianças e adolescentes, ou especificamente de violência sexual (abuso ou exploração sexual) você deve fazer uma denúncia. Informamos abaixo os órgãos do Sistema de Garantia que tem o papel de receber as denúncias, apurá-las e dar o devido encaminhamento e acompanhamento para essas situações:
Disque Direitos Humanos – ligue 100
O que é: este é o número da Secretaria de Direitos Humanos que recebe denúncias de forma rápida e anônima e encaminha o assunto aos órgãos competentes em até 24 horas.
Contato: disque 100 de qualquer parte do Brasil. A ligação é gratuita, anônima e com atendimento 24 horas, todos os dias da semana.
Delegacias Especializadas
O que é: Em diversas cidades do País existem delegacias especializadas em crimes contra crianças e adolescentes. Procure o endereço mais próximo de você no portal do Ministério da Justiça:
Delegacias Comuns
O que é: Caso não haja uma delegacia especializada em sua cidade, dirija-se à delegacia comum mais próxima para encaminhamento de queixas e denúncias.
Conselhos Tutelares
O que é: Órgão público que zela pelo cumprimento dos direitos das crianças e dos adolescentes. Veja a lista completa de conselhos tutelares no portal da Secretaria de Direitos Humanos: Http://www.sdh.gov.br/assuntos/criancas-e-adolescentes/cadastro-nacional-dos-conselhos-tutelares-2
CREAS / CRAS
O que é: Os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) realizam o atendimento básico à população em geral e os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) oferecem o atendimento direto e especializado a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Localize as unidades por estado ou município no portal do Ministério de Desenvolvimento Social e faça a denúncia:Http://aplicacoes.mds.gov.br/sagi/ferramentassagi/Mops/
Ministério Público
O Ministério Público é o órgão responsável por fiscalizar o cumprimento da lei e defender os interesses sociais e individuais indisponíveis. Em relação a infância e juventude, o Ministério Publico de todo Estado conta com um Centro de Apoio Operacional (CAO) – que pode e deve ser acessado na defesa e garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes.
Abaixo o link para o CAO de cada um dos estados do país:

Cartilhas sobre violência sexual contra crianças e adolescentes

Neste espaço, postarei links onde podem ser encontradas cartilhas sobre o tema exposto que servirão de suporte para aprimorar o conhecimento sobre o assunto.


Neste material, você encontrará explanação sobre o que é violência sexual, quais as formas, consequências do abuso e da exploração, quem são os abusadores e onde procurar ajuda.

http://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/glossarios-e-cartilhas/violenciaSexual.pdf


http://www.childhood.org.br/causas-da-violencia-sexual-contra-criancas-e-adolescentes


NO HELPLINE VOCÊ É ATENDIDO POR UM PSICÓLOGO, COM RESPEITO, ANONIMATO, E ESTRITO SIGILO SOBRE TUDO QUE FOR DITO.

http://new.safernet.org.br/helpline

Como surgiu o 18 de Maio

O Dia 18 DE MAIO, é uma conquista que demarca a luta pelos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes no território brasileiro e que já alcançou  muitos municípios do nosso país, inclusive onde moro em Conceição do Coité.

Esse dia foi escolhido porque em 18 de maio de 1973, na cidade de Vitória (ES), um crime bárbaro chocou todo o país e ficou conhecido como o “Caso Araceli”. Esse era o nome de uma menina de apenas oito anos de idade, que teve todos os seus direitos humanos violados, foi raptada, estuprada e morta por jovens de classe média alta daquela cidade. O crime, apesar de sua natureza hedionda, até hoje está impune.
                                               Objetivos do 18 de Maio

A proposta do “18 DE MAIO” é destacar a data para mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar da luta em defesa dos direitos sexuais de crianças e adolescentes. É preciso garantir a toda criança e adolescente o direito ao desenvolvimento de sua sexualidade de forma segura e protegida, livres do abuso e da exploração sexual.

A violência sexual praticada contra a criança e o adolescente envolve vários fatores de risco e vulnerabilidade quando se considera as relações de geração, de gênero, de raça/etnia, de orientação sexual, de classe social e de condições econômicas. Nessa violação, são estabelecidas relações diversas de poder, nas quais tanto pessoas e/ou redes utilizam crianças e adolescentes para satisfazerem seus desejos e fantasias sexuais e/ou obterem vantagens financeiras e lucros.


Nesse contexto, a criança ou adolescente não é considerada sujeito de direitos, mas um ser despossuído de humanidade e de proteção. A violência sexual contra meninos e meninas ocorre tanto por meio do abuso sexual intrafamiliar ou interpessoal como na exploração sexual. Crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, por estarem vulneráveis, podem se tornar mercadorias e assim serem utilizadas nas diversas formas de exploração sexual como: tráfico, pornografia, prostituição e exploração sexual no turismo. 



Mobilização para a data

O dia 18 de maio foi instituído em 1998, quando cerca de 80 entidades públicas e privadas, reuniram-se na Bahia para o 1º Encontro do Ecpat no Brasil. O evento foi organizado pelo Centro de Defesa de Crianças e Adolescentes (CEDECA/BA), representante oficial do Ecpat, organização internacional que luta pelo fim da exploração sexual e comercial de crianças, pornografia e tráfico para fins sexuais, surgida na Tailândia. O encontro reuniu entidades de todo o país. Foi nessa oportunidade que surgiu a ideia de criação de um Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual Infanto-Juvenil.

De autoria da então deputada federal Rita Camata (PMDB/ES) - presidente da Frente Parlamentar pela Criança e Adolescente do Congresso Nacional -, o projeto foi sancionado em maio de 2000.
Desde então, a sociedade civil em Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes promovem atividades em todo o país para conscientizar a sociedade e as autoridades sobre a gravidade da violência sexual.

O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes vem manter viva a memória nacional, reafirmando a responsabilidade da sociedade brasileira em garantir os direitos de todas as suas Aracelis.

Símbolo

A campanha tem como símbolo uma flor, como uma lembrança dos desenhos da primeira infância, além de associar a fragilidade de uma flor com a de uma criança. O desenho também tem como objetivo proporcionar maior proximidade e identificação junto à sociedade, proximidade e identificação com a causa.
Esse símbolo surge durante a mobilização do Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes de 2009. Porém, o que era para ser apenas uma campanha se tornou o símbolo da causa, a partir de 2010.
Para alcançar esse objetivo, é necessário que a sociedade em geral Faça Bonito na proteção de nossas crianças e adolescentes.

Chamada

O slogan Faça Bonito - Proteja nossas crianças e adolescente quer chamar a sociedade para assumir a responsabilidade de prevenir e enfrentar o problema da violência sexual praticada contra crianças e adolescentes no Brasil.




Lei
Lei 9.970 – Institui o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infanto-juvenil
Art. 1º. Fica instituído o dia 18 de maio como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.


Fontes:


segunda-feira, 20 de junho de 2016

Drogas, caminhos de morte.




Oi, queridos visitantes,

Aos poucos estarei postando um pouco sobre o tema Drogas e o material pode ser usado nas salas de aula, bem como servir como subsídios para aumentar o conhecimento para a vida de cada um.


quinta-feira, 9 de junho de 2016

O que é o abuso e a exploração sexual

VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E   ADOLESCENTES

O que é violência sexual contra crianças e adolescentes?

Não se deixe enganar: a violência sexual contra crianças e adolescentes é o envolvimento destes em atividades sexuais com um adulto, ou com qualquer pessoa um pouco mais velha ou maior, nas quais haja uma diferença de idade, de tamanho ou de poder, em que a criança é usada como objeto sexual para gratificação das necessidades ou dos desejos do adulto, sendo ela incapaz de dar um consentimento consciente por causa do desequilíbrio no poder ou de qualquer incapacidade mental ou física. 

Crianças e adolescentes não estão preparados física, cognitiva, emocional ou socialmente para enfrentar uma situação de violência sexual. A relação sexualmente abusiva é uma relação de poder entre o adulto que vitima e a criança que é vitimizada.

O que pode ser classificado como ato abusivo?

1) Não envolvendo contato físico


Não se deixe enganar: a violência sexual não ocorre apenas quando a criança “perde a virgindade,” isto é, pelo estupro, mas por uma série de atividades que podem ser separadas em três grupos:


  •  Discussões abertas sobre atos sexuais destinadas a despertar o interesse da criança ou chocá-la.
  •  Telefonemas obscenos.
  • Convites explícitos ou implícitos para manter contatos sexualizados.
  • Exibicionismo – exposição intencional (e não natural) do corpo nu de um adulto ou de partes dele a uma criança.
  • Voyeurismo - espionagem da nudez total ou parcial de uma criança por um adulto.
  •  Aliciamento pela internet ou pessoalmente.
  • Estímulo à nudez.
  • Fotografia e/ou filmagem de crianças para gratificação pessoal ou para exposição na internet

2) Envolvendo contato físico 

  • Passar a mão no corpo da criança. 
  • Coito (ou tentativa de). 
  • Manipulação de genitais. 
  • Contato oral-genital e uso sexual do ânus. 
  • Beijar a criança na boca. 
  • Sexo oral (felação ou cunilíngua no abusador ou na criança). 
  • Ejacular na criança. 
  • Colocar objetos na vagina ou ânus da criança. 
  • Penetrar o ânus com o dedo. 
  • Penetrar o ânus com o pênis. 
  • Penetrar a vagina com o dedo. 
  • Colocar o pênis entre as coxas de uma criança e simular o coito. 
  • Forçar a criança a praticar atividade sexual com animais. 

3) Envolvendo violência física

  • Estupro associado à brutalidade ou mesmo assassinato de crianças como formas progressivamente mais violentas de ataque sexual. 
  • Abuso sexual associado ao cárcere privado.


 Quais são as consequências da violência sexual na vida de uma criança ou adolescente?

Não se deixe enganar: a violência sexual não é uma experiência da qual a criança ou adolescente se esquece ou assunto que se deve evitar. Ao contrário, a violência sexual pode acarretar graves prejuízos ao saudável desenvolvimento psicossocial e físico de uma criança ou adolescente, tais como



  • Alto nível de ansiedade. 
  • Tristeza profunda. 
  • Agressividade. 
  •  Instabilidade emocional. 
  •  Medo ou pavor da figura agressora. 
  • Confusão de sentimentos em  relação à figura agressora (amor e ódio). 
  •  Pensamentos suicidas. 
  • Exacerbação da sexualidade. 
  •  Isolamento social. 
  •  Regressão no desenvolvimento escolar. 
  •  Droga e adição e/ou dependência do álcool. 
  •  Desenvolvimento de condutas antissociais. 
  •  Distúrbios do sono. 
  •  Aversão ao próprio corpo ou a pessoas do sexo do agressor. 
  •  Sintomas somáticos. 
  •  Gravidez precoce e indesejada. 
  •  Doenças sexualmente transmissíveis.

Quem é e quais são as características do agressor sexual?

Não se deixe enganar: o agressor sexual pode ser qualquer pessoa que se aproxima da criança, ganhando sua confiança e afeto para, então, praticar atos sexualmente abusivos. Essa é a estratégia utilizada pela maioria dos agressores sexuais, podendo, inclusive, ter a confiança dos adultos responsáveis pela criança ou adolescente

Em geral, são pessoas da família - pais, padrastos, tios, avós e até irmãos mais velhos – seguidas por pessoas conhecidas da família. Exercem suas funções sociais de forma adequada, são bons vizinhos, bons colegas de trabalho, o que produz maior confusão, pois deles não se espera uma atitude tão degradante. Isso não exclui o fato de que outras violências abrem a porta para a violência sexual, pois pessoas abusivas não respeitam as necessidades ou peculiaridades de suas vítimas, e suas ações podem envolver outras formas de violência contra a criança ou adolescente.


O que é a exploração sexual comercial de crianças?




Não se deixe enganar: a criança ou adolescente sexualmente explorado não é resultado de promiscuidade ou de seu próprio desejo. É uma relação de poder na qual prevalece o domínio econômico e a mercantilização do corpo da vítima. Sua ocorrência deve-se a causas múltiplas, tais como a vitimização da criança no próprio contexto familiar, a precariedade das condições socioeconômicas e/ou das relações familiares, a situação de rua, a falta de oportunidades na promoção do desenvolvimento pessoal e social da vítima, um contexto social que não valoriza o corpo, as necessidades, a sexualidade e os sentimentos da criança ou adolescente, em especial da criança em situação de risco social.

A exploração sexual deve ser combatida por meio de ações públicas e sociais de garantia de direitos básicos e acesso a serviços fundamentais, de condições dignas de vida e de envolvimento em situações que promovam o desenvolvimento social. Por fim, deve ser prática rejeitada por uma sociedade que valoriza a criança e o adolescente como sujeitos em condição peculiar de desenvolvimento, requerendo a responsabilização imediata daqueles que exploram a criança ou o adolescente, obtendo lucro e satisfação às suas custas. 

O artigo 244-A da Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente) prevê pena de quatro a dez anos de reclusão e multa para quem submeter criança ou adolescente à exploração sexual. Incorrem nas mesmas penas o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifique a submissão de criança ou adolescente às práticas sexuais. 

A violência sexual é assunto privado e deve ser mantido na família?


Não se deixe enganar: a violência sexual, em geral, acontece no âmbito do privado, mas é uma questão social e legal. É considerada, em nossa sociedade, uma violação de direitos básicos da criança e do adolescente, tais como o direito à sexualidade saudável, ao respeito, à dignidade, à integridade física e emocional, à convivência familiar e social saudável, trazendo graves repercussões sobre sua vida pessoal, familiar e social.

Quando a violência sexual fica limitada ao âmbito do privado, a criança ou o adolescente permanece socialmente desprotegido, pois sua experiência deixa de ser reconhecida para se transformar em um “fantasma” que poderá assombrá-lo por anos seguidos caso nunca tenha a chance de torná-lo socialmente reconhecido. Além disso, prevalecerá o sentimento de impunidade e de falta de limites para a satisfação dos desejos.  

abuso sexual acontece independentemente de classe social e é cometido, em muitos casos, por membros da família ou pessoas em quem a vítima confia. Jean von Hohendorff, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que o crime parte de alguém mais velho que exerce poder sobre a criança e obtém prazer sexual. Incluem-se nessa modalidade desde uma carícia até uma relação sexual. O abusador pede segredo para a menina ou o menino, faz ameaças ou oferece presentes.

Resultado de imagem para abuso sexual-abusadores
Esse é o tipo de violência sexual contra crianças e adolescentes mais recorrente entre os registros do Disque 100, da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República. Em 2011 era motivo de 72,26% das cerca de 4 mil notificações recebidas no primeiro trimestre. Aí estão só os casos comunicados, e profissionais dessa área calculam que o número real é muito maior.

Desde 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabeleceu que o abuso é uma violação aos direitos humanos e a escola é um espaço importante para lidar com isso. "Uma criança talvez não tenha acesso aos serviços de saúde, mas vai para a escola, que pode ajudar por meio da prevenção e da proteção, encaminhando a questão aos órgãos que devem resolver o problema", diz Renata Libório, da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp).



Von Hohendorff completa que a principal recomendação para os docentes é instruir a criança para que, se acontecer algo de que ela não goste, busque a ajuda de algum adulto de confiança. 




O que é violência?

Segundo Organização Mundial da Saúde (OMS) define a violência como o uso de força física ou poder, em ameaça ou na prática, contra si próprio, outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade que resulte ou possa resultar em sofrimento, morte, dano psicológico, desenvolvimento prejudicado ou privação. 

No mundo existem várias formas de violência, por exemplo: o preconceito, as agressões físicas e verbais, o bullying, a homofobia e a violência contra a mulher, entre outras. Elas acontecem quando alguém ou um grupo de pessoas utiliza intencionalmente a força física ou o poder para ameaçar, agredir e submeter outras pessoas, privando as de liberdade, causando algum dano psicológico, emocional, deficiência de desenvolvimento, lesão física ou até a morte.

Tipos de violência:

  • Violência física- Ação ou omissão que coloque em risco ou cause dano à integridade física de uma pessoa.
  • Violência institucional- tipo de violência motivada por desigualdades (de gênero, étnico-raciais, econômicas etc.) Predominantes em diferentes sociedades. Essas desigualdades se formalizam e institucionalizam nas diferentes organizações privadas e aparelhos estatais, como também nos diferentes grupos que constituem essas sociedades.
  • Violência intrafamiliar- acontece dentro de casa ou unidade doméstica e geralmente é praticada por um membro da família que viva com a vítima. As agressões domésticas incluem: abuso físico, sexual e psicológico, a negligência e o abandono.
     
  • Violência moral- ação destinada a caluniar, difamar ou injuriar a honra ou a reputação da mulher.
     
  • Violência patrimonial- ato de violência que implique dano, perda, subtração, destruição ou retenção de objetos, documentos pessoais, bens e valores.
     
  • Violência psicológica- ação ou omissão destinada a degradar ou controlar as ações, comportamentos, crenças e decisões de outra pessoa por meio de intimidação, manipulação, ameaça direta ou indireta, humilhação, isolamento ou qualquer outra conduta que implique prejuízo à saúde psicológica, à autodeterminação ou ao desenvolvimento pessoal.
     
  • Violência sexual- ação que obriga uma pessoa a manter contato sexual, físico ou verbal, ou a participar de outras relações sexuais com uso da força, intimidação, coerção, chantagem, suborno, manipulação, ameaça ou qualquer outro mecanismo que anule ou limite a vontade pessoal. Considera-se como violência sexual também o fato de o agressor obrigar a vítima a realizar alguns desses atos com terceiros.



fontes: http://www.adolescencia.org.br/site-pt-br/tipos-de-violencias
            http://www.scielo.br/pdf/csc/v11s0/a07v11s0


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Uma atividade legal para aplicar com os alunos do ensino fundamental I