terça-feira, 16 de outubro de 2018

Quem tem medo de dizer não?



Quem tem medo de dizer não?
Ruth Rocha

A gente vive aprendendo 
A ser bonzinho, legal, 
A dizer que sim pra tudo, 
A ser sempre cordial... 

A concordar, a ceder, 
A não causar confusão, 
A ser vaca-de-presépio 
Que não sabe dizer não! 

Acontece todo dia, 
Pois eu mesma não escapo. 
De tanto ser boazinha, 
Tô sempre engolindo sapo... 

Como coisas que não gosto, 
Faço coisas que não quero... 
Deste jeito, minha gente, 
Qualquer dia eu desespero... 

Já comi pamonha e angu, 
Comi até dobradinha... 
Comi mingau de sagu 
Na casa de uma vizinha... 

Comi fígado e espinafre, 
De medo de dizer não. 
Qualquer dia, sem querer, 
Vou ter de comer sabão! 

Eu não sei me recusar, 
Quando me pedem um favor. 
Eu sei que não vou dar conta, 
Mas dizer não é um horror! 

E no fim não faço nada 
E perco toda razão. 
Fico mal com todo mundo, 
Só consigo amolação. 

Quando eu estudo a lição 
E o companheiro não estuda, 
Na hora da prova pede 
Que eu dê a ele uma ajuda 

Embora ache desaforo, 
Eu não consigo negar... 
Meu Deus, como sou boazinha... 
Vivo só para ajudar... 

Se alguém me pede que empreste 
O disco do meu agrado, 
Sabendo que não devolvem 
Ou que devolvem riscado... 

Sou incapaz de negar, 
Mas fico muito infeliz... 
Qualquer um, se tiver jeito, 
Me leva pelo nariz... 

Depois que eu estou na fila 
Pra pagar o supermercado, 
Já estou lá há muito tempo... 
Aparece um engraçado... 

Seja jovem, seja velho, 
Se mete na minha frente, 
Mas eu nunca digo nada... 
Embora eu fique doente! 

A gente sempre demora 
A entender esta questão. 
Às vezes custa um bocado 
Dizer simplesmente não! 

Mas depois que você disse 
Você fica aliviada 
E o outro que lhe pediu 
É que fica atrapalhado... 

Mas não vamos esquecer 
Que existe o "por outro lado"... 
Tudo tem direito e avesso, 
Que é meio desencontrado... 

Quero saber dizer NÃO. 
Acho que é bom para mim. 
Mas não quero ser do contra... 
Também quero dizer SIM!


Aprendi a dizer "NÃO" lendo esse poema. é preciso coragem e discernimento para o não. Apesar de ser um advérbio de negação, há momentos que o uso se faz necessário. Como professora, lia muito esse texto para meus alunos e falava sempre nas minhas aulas que a gente aprendia a dizer não e a dizer sim, dependendo da situação, da necessidade. o não na hora certa, traz muitos benefícios. Nas aulas, podemos aproveitar a temática e abordar a questão das drogas, do prejuízo que elas trazem, não importa se são lícitas ou proibidas, entre outras.

Biografia de Ruth Rocha

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Ruth Rocha

Ruth Rocha nasceu em São Paulo, no dia 2 de março de 1931. Formou-se em Ciência Políticas e Sociais pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Começou a trabalhar na Biblioteca do Colégio Rio Branco. Foi orientadora educacional do mesmo colégio.
Em 1967 passou a escrever sobre educação, para a revista Cláudia. Foi convidada para escrever para a revista Recreio, onde iniciou uma série de histórias infantis. A partir de 1973, coordenou o departamento de publicações infanto-juvenil da Editora Abril.
Em 1976 publicou seu primeiro livro, “Palavras, Muitas Palavras”, nesse mesmo ano publica “Marcelo, Marmelo, Martelo e outras Histórias”, que se tornou um best-seller. Hoje, já tem mais de 200 livros publicados, entre eles, “Mil Pássaros”, “O Macaco Bombeiro”, “O Velho, o Menino e o Burro” e “A Menina Que Aprendeu a Voar”.
A obra de Ruth Rocha é também rica em conteúdo social, como os livros: “Uma História de Rabos Presos” e na “Declaração Universal dos Direitos Humanos Para Crianças”, lançado em 1990, na sede da Organização das Nações Unidas.
Ruth Rocha foi eleita para a cadeira nº 38 da Academia Paulista de Letra. Foi condecorada, em 1998, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, com a Comenda da Ordem do Ministério da Cultura. Recebeu vários prêmios, entre eles, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, e da Associação Paulista dos Críticos da Arte.


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